segunda-feira, 23 de julho de 2012

Retrato



Está ela sentada numa poltrona.
O estofado de veludo vermelho dá seu luxo aparente.
O vestido de seda com rendas e babados laterais dá a sua idade.
Mas a afeição e os lábios fechados, enrugados...isso tudo não mente.

O retrato da senhora em sua decepção,
Sim, uma mulher triste.
Se teve sonhos, dançou tango ou se apaixonou, ninguém sabe.
Mas teve dois filhos, porque isso, a sociedade permite.

Qual é sua idade, senhora?
Por que esse retrato, senhora?
Seria isso, mais uma imposição?
Ou uma recatada vaidade de outrora?

O piano que há anos não conversa suas melodias,
Num retrato que não tem motivos  para existir,
Carrega em seu corpo a senhora dos cabelos presos e grisalhos.
Numa época que só se vive se a sociedade permitir.

Solta o cabelo grisalho, minha senhora!
Tire seus óculos e passe a sorrir!
Sinta a liberdade e o gosto doce da sua idade...
Mas claro, se a sociedade permitir.


Suélen

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